Tornar a residência acessível é uma necessidade latente da construção civil nos dias de hoje. Para além da preocupação com as pessoas que têm mobilidade reduzida, vale lembrar que a acessibilidade em casa traz muito mais segurança e conforto para a terceira idade.

Investindo em instalações acessíveis, você não somente torna a casa apta para receber pessoas com alguma necessidade especial, como também a projeta pensando no futuro e no bem-estar da sua própria família. Assim, qualquer pessoa com qualquer tipo de limitação — crianças, idosos, gestantes, pessoas com cadeira de rodas etc — poderá usufruir do imóvel de um jeito cômodo e seguro.

Mas, como fazer isso na prática? Neste post, explicamos a importância da acessibilidade e trazemos dicas de como aplicá-la em casa. Acompanhe a leitura e planeje a reforma do seu lar!

Por que investir na acessibilidade em casa?

Idosos, gestantes, obesos, pessoas com limitação motora ou visual…. Enfim, qualquer pessoa que tenha mobilidade reduzida — seja esta uma condição permanente ou temporária — precisa ter um lar acessível para realizar as atividades diárias de forma confortável e sem riscos. Esse motivo, por si só, já é o suficiente para investir na acessibilidade em casa.

Para além disso, um imóvel acessível é mais valorizado, considerando-se que essa é uma grande preocupação na sociedade contemporânea. Sem falar na temática da inclusão social, que acelera os debates na construção civil, na arquitetura e no urbanismo em torno de uma perspectiva futura em que todos os imóveis tenham o maior grau de acessibilidade possível.

Isso significa que um projeto residencial com instalações acessíveis sairá na frente em vários aspectos: acabamentos funcionais, estrutura valorizada e proposta inclusiva.

Como tornar sua casa mais acessível?

Falar de acessibilidade em casa parece complexo. Porém, é bem mais simples do que você imagina. Você pode até não ter se dado conta, mas certamente já investiu em instalações mais acessíveis pensando no bem-estar da sua família. Preocupar-se com o tamanho dos degraus, exigir corrimãos e instalar pisos antiderrapantes são pequenos exemplos de atitudes que tomamos preocupados em tornar o local mais acessível.

Em seguida, detalhamos outros aspectos que vão ajudar você a expandir essa acessibilidade para todas as instalações da casa. Confira!

Corredores e corrimãos

Os corredores precisam ser largos o suficiente para não comprometerem a circulação de pessoas com cadeiras de roda ou carrinhos de bebê, por exemplo. Quanto às escadas e rampas, os corrimãos devem estar presentes em ambos os lados, garantindo apoio seguro. O corrimão ideal é aquele que tem duas alturas: 0,92 cm e 0,70 cm, de modo que crianças e pessoas com limitações motoras também possam alcançá-lo com facilidade.

Portas e janelas

Especialistas em acessibilidade sugerem que todas as portas da residência devam ser padronizadas com largura de 80 cm. Além disso, as maçanetas devem ser de alavanca, pois esse modelo facilita a abertura. As janelas devem ser instaladas com o peitoril mais baixo que o padrão convencional, com cerca de 80 cm. Dessa forma, usuários de cadeira de rodas conseguirão ter acesso à vista.

Pisos e acessos

Cuide para que os pisos apresentem superfície regular, contínua e antiderrapante, sob qualquer condição climática. Também é recomendado o uso de piso tátil para indicar obstáculos ou mudança de plano nas superfícies. Os capachos não devem ultrapassar 1,5 cm de altura, sob o risco de causarem acidentes. Lembre-se: qualquer desnível superior a essa medida é considerado degrau.

Rampas de acesso devem ter largura mínima de 1,20 m. A entrada principal da residência, bem como as áreas internas, deve estar livre de qualquer obstáculo que impeça ou dificulte a passagem. Por isso, no momento de escolher os móveis, é preciso estar atento às medidas para se certificar de que elas serão compatíveis com as dimensões do cômodo sem comprometer a circulação.

Quando for posicionar o mobiliário, saiba que o ideal é deixar um diâmetro de 1,50 m livre. Esse é o espaço mínimo necessário para que um usuário de cadeira de rodas tenha condição de dar um giro de 360 graus sem esbarrar nos móveis ou demais pertences da casa.

No caso de pessoas cegas, as guias de balizamento instaladas junto aos limites laterais do piso também são imprescindíveis para garantir uma locomoção mais cômoda e segura. Elas devem ter altura mínima de 5 cm.

Bancadas e armários

Na hora de reformar a cozinha, deixe um vão na bancada, sem a presença de armários inferiores, com largura de pelo menos 80 cm e altura de 73 cm. Desse modo, a área ficará livre para que um usuário de cadeira de rodas consiga encaixar sua cadeira para executar as tarefas básicas do dia a dia.

Quanto aos armários, a altura de utilização precisará ser mais baixa do que o padrão convencional. A medida para armários acessíveis varia entre 40 cm e 1,20 m do piso acabado. A profundidade das prateleiras não deverá ultrapassar 55 cm, considerando-se que essa é a medida limite para alcance com o braço estendido.

Não se esqueça também de que a projeção de abertura dos armários não poderá interferir na área de circulação mínima da pessoa com dificuldade de locomoção.

No caso de cozinhas com dimensões menores, o ideal é optar por portas deslizantes, facilmente projetadas em mobiliários planejados. Dê preferências aos puxadores instalados na horizontal, com largura mínima de 40 cm. Assim, a área de “pegada” fica maior.

Instalações sanitárias

Quando falamos em acessibilidade em casa, geralmente o banheiro é o cômodo que demanda mais alterações, todas elas fundamentais para a segurança e a integridade do usuário. A começar pela escolha do box que, além das barras de segurança, deve ter três folhas, em vez de duas, pois o vão maior é mais acessível.

Invista em uma bacia sanitária com acionamento eletrônico da descarga. Isso vai impedir que a válvula seja instalada em altura incompatível com os usuários. Também é recomendada a instalação de alarmes sonoros próximos à bacia e dentro do box — com 40 cm de altura em relação ao piso — para que possam ser acionados em caso de quedas ou outros acidentes.

Também é muito importante pensar em um espelho que seja acessível a todos na casa. Se você for posicioná-lo sobre a bancada da pia, considere que a altura máxima em relação ao piso deve ser de 90 cm. Mas, se a instalação for feita em outro lugar, a altura ideal é de 50 cm do piso.

Pronto! Com essas dicas, deu para compreender melhor a importância da acessibilidade em casa e como implementá-la de forma prática, deixando o lar seguro e confortável para qualquer usuário. Basta pensar com cuidado nas instalações de cada cômodo e logo estará com a casa totalmente acessível.

Uma boa dica é começar pelo banheiro, que demanda mudanças mais significativas. Substituir o ralo convencional pelos lineares, por exemplo, facilita a locomoção dentro do box, já que não haverá empecilhos à cadeira de rodas. Que tal?

Aproveite e leia nosso post sobre as vantagens do ralo linear e surpreenda-se com esse acabamento!